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DigitalSourceType: o que cada valor diz da imagem

O campo DigitalSourceType declara como a imagem foi criada, de captura a geração por IA. Tabela com os dezesseis valores do IPTC e o que cada um sinaliza para plataformas.

Por Publicado em 6 min de leitura

DigitalSourceType é um campo do vocabulário IPTC que informa como uma imagem foi criada: capturada por uma câmera, digitalizada de um negativo, feita à mão no computador ou gerada por um modelo de IA. Cada valor é uma palavra de uma lista fechada, e os mais importantes para rotular conteúdo são trainedAlgorithmicMedia, que significa gerada por IA, e digitalCapture, que significa capturada por câmera digital.

Abaixo estão os dezesseis valores do vocabulário, o que cada um declara e quais deles pesam numa leitura de origem.

Onde o campo fica gravado

DigitalSourceType é gravado no bloco XMP do arquivo, dentro do espaço de nomes IPTC Extension. O valor não é uma palavra solta, mas um endereço que aponta para a lista oficial. Num JPEG ou num PNG de IA, a linha de um leitor costuma ter esta forma:

Digital Source Type : http://cv.iptc.org/newscodes/digitalsourcetype/trainedAlgorithmicMedia

Se você quer só o valor, o ExifTool retorna o campo sozinho:

exiftool -DigitalSourceType foto.jpg

Se o campo não aparecer, isso não significa que a imagem é humana. Muitos programas simplesmente não gravam o campo, e a câmera só o grava se o fabricante implementou essa opção.

Os dezesseis valores

As descrições abaixo são resumos em português. A definição oficial e os exemplos ficam no site do IPTC.

ValorO que declara
digitalCaptureCapturada por câmera digital ou sensor, sem composição
negativeFilmDigitalizada a partir de negativo fotográfico
positiveFilmDigitalizada a partir de slide ou diapositivo
printDigitalizada a partir de uma cópia impressa
minorHumanEditsPequenos ajustes humanos, como corte, cor e retoque leve
humanEditsEdição humana extensa, sem geração por IA
compositeCaptureMontagem de várias capturas reais, como HDR ou panorama
algorithmicallyEnhancedCaptura real melhorada por algoritmo, como redução de ruído
dataDrivenMediaGerada a partir de dados, como gráficos e mapas produzidos por software
digitalArtArte criada por uma pessoa com ferramentas digitais
virtualRecordingRegistro de um ambiente virtual, como cenário 3D ou jogo
compositeSyntheticComposição com elementos sintéticos que não são de IA treinada
trainedAlgorithmicMediaGerada por um modelo de IA treinado
compositeWithTrainedAlgorithmicMediaComposição que inclui partes geradas por um modelo de IA treinado
algorithmicMediaGerada por algoritmo que não é um modelo treinado, como padrões procedurais
screenCaptureCaptura de tela de um dispositivo

Quais valores acendem o rótulo de IA

Plataformas não publicam a lista exata de valores que disparam cada rótulo, e elas mudam essa regra com frequência. Com o que é público, dá para separar três grupos:

  • Os que declaram geração por IA: trainedAlgorithmicMedia e compositeWithTrainedAlgorithmicMedia. São os dois que dizem literalmente que há IA generativa na imagem, e são os que o glossário de mídia gerada por IA descreve.
  • Os que declaram algoritmo sem modelo treinado: algorithmicMedia e compositeSynthetic. Podem ou não ser lidos como IA, e a regra muda de plataforma para plataforma.
  • Os que declaram edição humana ou captura: digitalCapture, minorHumanEdits, humanEdits, compositeCapture. Não acionam o rótulo de IA por si só.

Por isso um valor isolado diz pouco. Uma imagem com digitalCapture e um manifesto C2PA de edição generativa pode ser rotulada pelo histórico de edição, não pelo campo principal. Os dois sinais são lidos em conjunto.

Quem grava o valor

O DigitalSourceType é escrito pelo programa que criou ou alterou a imagem, e não pela pessoa. Geradores de IA que seguem o padrão costumam gravar o valor trainedAlgorithmicMedia. Editores como o Photoshop registram no histórico de edição quando um recurso generativo entra na imagem, e o campo pode mudar junto. Veja o caso do preenchimento generativo do Photoshop. Um ajuste de brilho comum não deveria alterar o valor.

O campo convive com o C2PA, que é o registro assinado. Os dois podem estar no mesmo arquivo, e a limpeza que apaga um deles não garante a remoção do outro. Veja o que é XMP para entender onde o campo é gravado.

Uma ressalva honesta

O DigitalSourceType é uma declaração, não uma prova. Qualquer programa pode gravar o valor errado, e um removedor pode apagá-lo sem que a imagem mude. A leitura serve para entender o que o arquivo afirma sobre si mesmo, e não para decidir sozinha se uma imagem é de IA. Para isso vale cruzar com o histórico C2PA e com a origem da publicação.

Há também um caso honesto de limpeza: se você remove o campo de uma imagem de IA que vai publicar como ilustração declarada, nada se perde na imagem. Se remove para que ela pareça fotografia, o problema é de engano, como discutido no artigo sobre tirar o rótulo de IA.

Como ler o campo passo a passo

Uma leitura completa leva menos de um minuto e segue esta ordem:

  1. Procure o campo. Se ele não existe, o arquivo não declara origem. Anote isso e siga para o próximo passo.
  2. Veja o valor final da lista. Pegue apenas a última parte do endereço, como trainedAlgorithmicMedia, e confira na tabela acima.
  3. Procure o manifesto C2PA. Se houver, o histórico de ações mostra se o valor foi gravado na geração ou numa edição posterior.
  4. Compare com a origem declarada. Se o autor diz que é fotografia e o valor é de IA gerativa, a divergência é o dado mais útil que você tem.

Uma leitura assim não decide nada sozinha, mas evita a leitura errada mais comum: tomar o campo principal como verdade absoluta.

O que fazer

  1. Leia o campo com o leitor gratuito de metadados, sem cadastro, ou com o comando do ExifTool acima.
  2. Interprete o valor junto com o histórico C2PA, se houver. Um valor isolado não basta.
  3. Use o detector de IA para checar marcadores no arquivo sem enviá-lo a um servidor.
  4. Se você vai publicar ou entregar a imagem, decida antes se o campo precisa ficar. Para uma foto comum de JPG, o guia de remoção de metadados de JPG mostra o que sai e o que fica.
  5. Confira na releitura. Uma limpeza só vale se o campo deixou de aparecer.

Para ver como o campo aparece em outras plataformas, o artigo sobre a marca de IA em imagens do ChatGPT mostra um caso concreto de geração.

Perguntas frequentes

O que é o campo DigitalSourceType?

É um campo do padrão IPTC que declara como uma imagem foi criada, por exemplo por uma câmera, por um scanner ou por um modelo de IA. Ele não aceita texto livre: o valor é escolhido de uma lista fixa, gravada como endereço no XMP. Quando o programa grava o campo, uma captura comum leva digitalCapture e uma imagem gerada por IA leva trainedAlgorithmicMedia.

Qual valor do DigitalSourceType indica imagem gerada por IA?

O valor trainedAlgorithmicMedia indica mídia gerada por um modelo de IA treinado. Quando a imagem mistura uma captura real com partes geradas por IA, o valor usado é compositeWithTrainedAlgorithmicMedia. São esses dois valores que as plataformas costumam associar ao rótulo de conteúdo feito com IA.

Foto de celular tem DigitalSourceType?

Nem sempre. Quando a câmera não grava o campo, ele simplesmente não aparece no arquivo. Quando aparece, o valor esperado para uma foto comum é digitalCapture. Se a foto passou por edição, o campo pode ter valores como minorHumanEdits ou humanEdits, que não indicam IA por si só.

Editar uma foto com IA muda o DigitalSourceType?

Depende da ferramenta e da operação. Um preenchimento generativo pode gravar compositeWithTrainedAlgorithmicMedia, enquanto um ajuste de cor comum não altera o valor. Como cada programa escolhe o que grava, a leitura do arquivo é a única forma confiável de saber o que ficou registrado.

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