Como remover metadados de fotos JPG
JPG (ou JPEG) é o formato de foto mais comum: sai da maioria das câmeras, dos celulares Android, de scanners e de quase todo editor de imagem. Além dos pixels, o arquivo guarda segmentos de dados no começo, antes da imagem em si. É ali que ficam o modelo do aparelho, a data e a hora exatas da foto, as coordenadas de GPS quando a localização da câmera está ligada, o histórico de edição do Lightroom ou do Photoshop e, cada vez mais, credenciais de conteúdo que indicam se a imagem foi gerada ou editada com IA.
Atualizado em
Também vale para: .jpeg, .jpe, .jfif
Analisar um arquivo JPGQue metadados um arquivo JPG carrega
- EXIF
- Bloco gravado pela câmera ou pelo celular no segmento APP1. Traz fabricante, modelo, lente, configurações de exposição, data e hora da captura com fuso horário e, se a localização estiver ativa, latitude, longitude, altitude e até a direção para onde a câmera apontava. Também guarda uma miniatura da foto.
- MakerNotes
- Área dentro do EXIF em formato próprio de cada fabricante, como Canon, Nikon, Samsung ou Apple. Costuma conter número de série do corpo, modo de foco e outros dados técnicos que a maioria dos visualizadores nem exibe.
- XMP
- Bloco em XML, também no APP1, usado pela Adobe e por apps de edição. Guarda autor, palavras-chave, avaliação, o histórico de ações do Lightroom ou do Photoshop e o campo DigitalSourceType, que informa se a imagem foi criada por IA.
- IPTC
- Padrão de imprensa gravado no segmento APP13, junto com outros recursos do Photoshop. Tem legenda, crédito, nome do fotógrafo, cidade, país e instruções de uso. Agências e redações preenchem esses campos, e eles viajam com a foto quando ela é republicada.
- C2PA (JUMBF)
- Manifesto de Content Credentials gravado no segmento APP11. Registra o programa que criou ou editou a imagem e as ações feitas, com assinatura digital. É esse bloco que leva Instagram, Facebook e LinkedIn a mostrarem um rótulo de IA.
Campos que costumam aparecer em JPG
- MakeFabricante do aparelhoDá pistas
- ModelModelo do aparelhoDá pistas
- LensModelModelo da lenteDá pistas
- DateTimeOriginalData e hora da capturaDá pistas
- OffsetTimeOriginalFuso horário da capturaDá pistas
- GPSLatitudeLatitude do GPSExpõe você
- GPSLongitudeLongitude do GPSExpõe você
- GPSAltitudeAltitude do GPSDá pistas
- SerialNumberNúmero de série da câmeraExpõe você
- SoftwareSoftware usadoDá pistas
- CreatorToolPrograma criador (XMP)Dá pistas
- HistorySoftwareAgentHistórico: programa usadoDá pistas
- DigitalSourceTypeTipo de origem digital (IA)Expõe você
- Caption-AbstractLegenda (IPTC IIM)Dá pistas
- C2PAC2PA / Credenciais de ConteúdoExpõe você
Quando esses dados pesam
Você anuncia uma geladeira num site de classificados com fotos tiradas na cozinha. Se o celular estava com a localização da câmera ligada, o JPG leva latitude e longitude com precisão de poucos metros, e qualquer pessoa que baixar o arquivo original pode abrir o endereço num mapa. Plataformas grandes costumam limpar isso no upload, mas fotos enviadas por e-mail, em drives compartilhados ou como documento em aplicativos de mensagem chegam intactas.
Fotógrafos que publicam o arquivo original deixam o número de série da câmera no EXIF ou nas MakerNotes. Esse número liga fotos anônimas a um portfólio público assinado. Já o XMP pode revelar o nome do autor gravado no Lightroom, o histórico de edição e o fato de a imagem ter passado por um gerador de IA, informação que plataformas usam para aplicar rótulos automáticos.
Como ver os metadados sem instalar nada
- Windows: Clique com o botão direito no arquivo JPG, escolha Propriedades e abra a aba Detalhes. Ali aparecem câmera, data de captura, configurações de exposição e, se existirem, latitude e longitude. Campos XMP e C2PA não aparecem.
- macOS: Abra a foto na Pré-Visualização e vá em Ferramentas > Mostrar Inspetor. Na aba de informações, as subabas EXIF, TIFF, GPS e IPTC mostram os campos; a de GPS inclui um mapa com o ponto da captura.
- iPhone: No app Fotos, abra a imagem e deslize para cima ou toque no botão de informações (i). Aparecem aparelho, lente, resolução, configurações de exposição e o mapa com o local, se houver.
- Android: No Google Fotos, abra a foto e deslize para cima. A tela de detalhes mostra data, hora, aparelho, resolução e localização. Outras galerias têm a opção Detalhes ou Informações no menu de três pontos.
Como remover pelo próprio sistema
Windows
Em Propriedades > Detalhes, clique em Remover Propriedades e Informações Pessoais. Escolha criar uma cópia com todas as propriedades possíveis removidas ou marque os campos que quer apagar do próprio arquivo e confirme.
O que fica para trás: Não alcança XMP nem o manifesto C2PA e pode deixar dados que a janela não lista, como as MakerNotes do fabricante.
macOS
Na Pré-Visualização, abra Ferramentas > Mostrar Inspetor, vá até a aba GPS e clique em Remover Informações de Localização. Depois salve o arquivo.
O que fica para trás: Remove só a localização. Modelo do aparelho, datas, número de série, XMP e C2PA continuam no JPG.
iPhone
Na tela de compartilhar, toque em Opções, logo abaixo do nome do arquivo, e desligue Localização antes de enviar.
O que fica para trás: Só vale para aquele envio e só tira a localização. Aparelho, lente, datas e o restante do EXIF seguem com a foto.
Android
Para evitar o problema nas próximas fotos, abra o app Câmera, entre nas configurações e desligue a opção de salvar localização. O nome varia por fabricante, como Tags de localização.
O que fica para trás: Não muda as fotos que já foram tiradas e não afeta modelo, datas nem outros campos do EXIF.
O que o MetaWipe remove de um JPG
O MetaWipe apaga todos os blocos de metadados do JPG: EXIF com GPS, aparelho, número de série e datas, as MakerNotes do fabricante, XMP com histórico de edição e DigitalSourceType, IPTC, recursos do Photoshop, comentários, a miniatura embutida, o perfil de cor ICC e o manifesto C2PA que dispara rótulos de IA no Instagram, Facebook e LinkedIn.
O que continua no arquivo
Ficam apenas os dados estruturais que o JPG precisa para ser exibido: largura, altura, tipo de compressão e profundidade de cor. Os pixels não são recomprimidos, então a imagem limpa é idêntica à original, sem perda de qualidade.