Carta de apresentação: DOCX ou PDF?
O PDF preserva o layout, mas ainda grava autor e título. O DOCX guarda revisões, comentários e o nome da última pessoa que alterou. Veja qual formato enviar e como limpar cada um.
Envie em PDF, salvo quando a vaga pedir Word. O PDF preserva o layout que você montou e leva menos campos para o destinatário, mas ele ainda grava autor e título e precisa ser limpo antes de sair. O DOCX é editável e guarda o histórico do documento, então só faz sentido quando a empresa pede o arquivo para edição.
Nos dois casos, a limpeza é o passo que muda o resultado. A diferença entre os formatos está em quanto de histórico cada um carrega por padrão.
O que o PDF preserva e o que ele entrega
O PDF congela a página. Fontes, espaçamento e margens chegam ao recrutador como você os viu, em qualquer celular e em qualquer computador. Essa é a vantagem real, e é por isso que o formato é o padrão da maioria das candidaturas.
O que ele leva junto são as propriedades do documento. Um PDF exportado do Word costuma trazer assim:
Title : Carta - Empresa Atual
Author : Rafael Costa
Creator : Microsoft Word
Producer : Microsoft: Print To PDF
CreateDate : 2026:09:28 21:40:03
ModifyDate : 2026:10:02 08:11:57O campo Title é o que mais trai a origem. Quem reaproveita uma carta e troca só o texto do corpo deixa o nome da empresa antiga no título, e ele aparece no leitor antes de qualquer parágrafo.
O que o DOCX entrega a quem recebe
O Word grava mais campos do que o PDF, porque o arquivo é o próprio documento de trabalho. Esta é a parte que um DOCX reaproveitado costuma carregar:
Author : Rafael Costa
LastModifiedBy : Ana Souza
RevisionNumber : 14
Company : Empresa Anterior Ltda
Template : Normal.dotm- LastModifiedBy é quem fez a última alteração. Se a carta passou pelas mãos de um revisor, o nome dele fica registrado.
- RevisionNumber conta quantas vezes o arquivo foi salvo como versão.
- Company é a organização cadastrada no Office. Em uma carta reaproveitada, costuma ser a empresa do emprego anterior.
- Template é o modelo em que o documento foi criado. Um modelo de outra empresa, com cabeçalho próprio, deixa essa marca mesmo que o texto não a mencione.
Os dois formatos, lado a lado
| Critério | DOCX | |
|---|---|---|
| Layout igual em qualquer tela | Pode mudar entre versões do Word | Sim |
| Editável pelo destinatário | Sim | Não, sem um editor de PDF |
| Histórico de revisões e comentários | Pode trazer tudo | Só se a exportação os incluiu |
| Propriedades do documento | Muitas, incluindo empresa e modelo | Algumas, como título, autor e programa |
| Limpeza antes de enviar | Necessária | Necessária, com reescrita do arquivo |
A tabela resume o que muda na prática. O layout é a razão para escolher o PDF, e o histórico é a razão para limpar o DOCX com cuidado. Em nenhum dos dois o formato dispensa a limpeza.
O que a limpeza não tira do papel
Cabeçalho, rodapé e papel timbrado fazem parte do conteúdo visível, e a limpeza não os altera. Se o modelo da carta tem o logotipo ou o nome da empresa anterior no cabeçalho, ele vai ao destinatário mesmo depois de limpo. Confira a primeira página como se fosse uma folha impressa, e não apenas o texto que você digitou.
O mesmo vale para o nome do arquivo. Use o nome da candidata ou do candidato e o tipo do documento, como “Maria Silva - Carta de Apresentação”, em vez de “carta_final_v3”. O destinatário lê esse nome antes de abrir o arquivo, e ele é a única parte da carta que nenhuma limpeza altera.
Alterações controladas e comentários
Se a carta foi revisada com o controle de alterações ligado, cada mudança aparece marcada com o nome de quem a fez, e os comentários ficam no texto. A limpeza tira o nome de quem escreveu cada marcação, mas o texto das alterações e dos comentários continua no arquivo, e quem recebe o DOCX o vê na barra de revisão. Um detalhe maior sobre o que o Word mostra a quem recebe está em alterações controladas e comentários.
Por isso, antes de qualquer limpeza, abra o documento e vá em Revisão. Use Aceitar → Aceitar Todas as Alterações, ou exclua as alterações que não devem sair, e apague os comentários que não são seus. Depois disso, o que sobra é o texto final.
Exportar do Word para PDF, passo a passo
O caminho costuma ser Arquivo → Salvar como, escolher PDF como formato e abrir as opções de salvamento. Procure a opção de incluir as propriedades do documento e desmarque-a. Antes de anexar, abra o PDF pelo leitor e confira se o título é o certo e se o autor sumiu. Se a sua versão do programa não tiver essa opção, a limpeza posterior é o que resolve.
A exportação deve ser sempre o último passo de edição. Cada PDF novo grava autor e datas de novo, então uma correção de última hora no Word exige exportar e limpar outra vez. Se a carta foi escrita no LibreOffice, o caminho de limpeza é outro, descrito em como tirar seus dados dos arquivos do LibreOffice.
Quando a carta vai no corpo do e-mail
Algumas vagas pedem que a carta seja colada no corpo do e-mail ou em um campo de texto do formulário. Nesse caso nenhum arquivo é anexado e nenhum campo de propriedades é enviado. O que chega é só o texto, e a formatação do e-mail costuma substituir a do documento. Copie a carta a partir de uma versão limpa, sem marcações de revisão, porque ao colar um trecho do Word o texto riscado pode vir junto se ele ainda estiver visível.
O que fazer, nesta ordem
- Resolva as revisões em Revisão, como descrito acima.
- Confira o texto em busca de nomes de empresas antigas. Esse trecho é conteúdo, e nenhuma limpeza o altera.
- Se a vaga pede Word, limpe o próprio DOCX pela ferramenta do MetaWipe. Ele aceita o formato DOCX e remove as propriedades do documento, como autor, empresa, modelo e datas.
- Se a vaga aceita PDF, exporte, limpe o PDF e confira. A ordem é importante: exportar depois de limpar traz de volta o autor do Word.
- Confirme no leitor gratuito, que mostra o que sobrou no arquivo.
Se a carta acompanha um currículo que você adaptou para a vaga, o AjustaCV faz esse ajuste de texto. O restante do pacote de anexos está em o que cada anexo de uma candidatura revela.
Uma ressalva honesta
A carta raramente é o anexo que decide uma vaga, e o recrutador costuma ler o texto, não as propriedades. O formato certo é o que a empresa pede: se pedir Word, envie Word, limpo. Não há motivo técnico para forçar um PDF quando o arquivo precisa ser editado.
O que a limpeza resolve é o que não deveria estar lá: o nome da empresa antiga no título, o revisor no campo de última alteração e as marcações que ninguém quis deixar. O que ela não resolve é o texto. Revise a carta duas vezes antes de limpar.